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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Lipoaspiração e lipoescultura


              A lipoaspiração é uma técnica cirúrgica onde, através de cânulas metálicas, o cirurgião plástico realiza a aspiração de gordura abaixo da pele e acima da musculatura. Caso seja realizada a enxertia da gordura aspirada no mesmo ato cirúrgico, aos dois procedimentos combinados chamaremos lipoescultura.
               A lipoaspiração pode ser realizada através de várias técnicas: lipoaspiração clássica, vibrolipoaspiração, lipo a laser, lipo ultrassônica, hidrolipoaspiração, etc. Ao final, podemos dizer que todas elas chegarão aos mesmos resultados.
               É importante salientarmos que a lipoaspiração não deve ser usada com o intuito de emagrecimento, mas apenas para melhoria do contorno corporal em várias regiões.
               Um detalhe que habitualmente causa receio aos pacientes é quanto à dor no pós-operatório. Na lipoaspiração não devemos bater as cânulas na musculatura subjacente. Com isso, a dor deve ser suportável e contornada à base de analgésicos nos primeiros 7 dias. Caso haja intenso trauma muscular durante a cirurgia, teremos dores intensas, além de manchas escuras e roxas nas áreas aspiradas.
               O uso de cintas elásticas é exigido no pós-operatório para que não ocorram grandes inchaços. Elas serão usadas, em média, entre 30 a 90 dias, dependendo da extensão das áreas e da quantidade de gordura aspirada.

               As mudanças de silhueta alcançadas serão perenes. Por outro lado, as áreas operadas poderão aumentar de volume caso a pessoa aumente de peso. Portanto, manter o peso é importante para resultados duradouros.   

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Face e Pescoço: Cirurgia ou Cosmiatria?


Muitas pessoas acreditam que a cirurgia plástica para rejuvenescer a face, o pescoço e as pálpebras será a única responsável pelos efeitos conseguidos: reposicionamento das estruturas que desceram com o tempo, clareamento e alisamento da pele, suavização das rugas já instaladas e tratamento de “olheiras”.
           
            Na verdade, a cirurgia se presta para colocar no lugar as estruturas que cederam com o tempo. Ela irá elevar a “maçã” do rosto e as sobrancelhas, realinhará o desenho da mandíbula, tratará a pele do pescoço que formou papadas, retirará o excesso de pele e gordura das pálpebras, reduzirá o comprimento do lábio superior, tratará o lóbulo da orelha aumentado, o queixo pequeno ou grande enfim, várias mudanças para se rejuvenescer o rosto serão alcançadas com a cirurgia. 

Por sua vez, a suavização das rugas já instaladas e o clareamento da pele manchada pelo sol serão alcançados através de peelings com ácidos, laser, substâncias clareadoras e dermoabrasão. 

Um exemplo do dia a dia seria pensarmos numa peça de roupa, por exemplo, uma camisa quando sai do varal. Ao colocarmos ela sobre uma mesa, podemos esticar todo o seu tecido, o que seria o papel da cirurgia! Porém, para deixá-la lisinha, temos que usar o ferro de passar, que seria o papel dos outros tratamentos.  

Portanto, para chegarmos a resultados ideais, muitas vezes temos que combinar os benefícios da cirurgia ao dos tratamentos estéticos. 

Dr Edmilson Micali

quinta-feira, 28 de março de 2013

Atitudes para "Perder" a Barriga

          
Perder o excesso de pele e de gordura localizada no abdômen, além daquela saliência que teima em não ceder, muitas vezes, é um desafio difícil de ser atingido. Para quem se joga de corpo e alma em programas de ginástica e dietas, muitos benefícios poderão ser alcançados, sem dúvida! O difícil é mantermos a disciplina para regimes “espartanos”.
Em nossa cultura, convivemos diariamente com hábitos alimentares calóricos que nos acrescentam quilos a mais. Mudarmos estes hábitos não é nada fácil! Teríamos que nos habituar a alimentos que não fazem parte da nossa mesa no dia a dia, como frutas, legumes, saladas, verduras, carne branca...enfim!
Além disso, haveria a necessidade de dosarmos a quantidade desses alimentos para não cairmos em desnutrição ou outros déficits como anemia, falta de vitaminas e proteínas, gorduras essenciais, etc. Para isso, o auxílio de nutricionistas é aconselhável.
Frente a estas realidades, a cirurgia plástica abdominal torna-se a solução mais indicada. Através de lipoaspiração e/ou abdominoplastia , quando a paciente se apresenta num peso adequado, atuamos no sentido de reparar a silhueta perdida, eliminando o excesso de pele e de gordura localizada. Muitas vezes, também se faz necessário o reposicionamento da musculatura que foi distendida por obesidade ou por gravidez.
Portanto, programe-se e “mãos à obra”!  
Dr Edmilson Micali
 

terça-feira, 12 de março de 2013

Tomar Sol Após Uma Plástica


Sempre ouvimos dizer sobre o perigo que a exposição ao sol pode representar após uma cirurgia plástica. O que isso pode ocasionar?

R - O grande receio é que essa exposição leve ao escurecimento das cicatrizes e da pele ao redor delas.  

Qual o motivo que pode levar a este fenômeno?

R - Bem, na nossa pele existem vários tipos diferentes de células. Uma delas, chamada melanócito, é responsável pela produção do pigmento (melanina) que vai colorir nossa pele.

Pessoas claras apresentam menos melanócitos do que as pessoas escuras. Estímulos traumáticos sobre nossa pele, como tomar sol, sofrer um raspão ou passar por um ato cirúrgico, ativam os melanócitos, ou seja, faz com que eles aumentem a produção de melanina, a qual irá impregnar a pele tornando-a mais escura. Portanto, juntando-se o trauma cirúrgico à exposição ao sol, estaremos “incentivando” estas células a produzir mais pigmento.

            Por isso nós, cirurgões plásticos, somos tão exigentes com as pacientes em relação a se proteger do sol depois da cirurgia.

 

 

Dr  Edmilson Micali

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cirurgia das Pálpebras


A cirurgia para retirada de pele e bolsas de gordura das pálpebras costuma ser procurada pelas pacientes a partir dos 35 ou 40 anos de idade. Seu resultado confere uma aparência mais jovial para a região dos olhos.

Costumamos realizá-la com anestesia local e uma leve sedação aplicada pelo médico anestesista.

O tempo de cirurgia gira em torno de 90 a 120 minutos durante os quais a paciente irá permanecer dormindo.

No pós-operatório não haverá dor. O inchaço é maior nos 3 primeiros dias.

Nem sempre surgirão manchas roxas, mas caso isto ocorrer, elas costumam sumir entre 7 a 10 dias.

Os pontos são retirados entre 5 a 7 dias, assim como o retorno ao trabalho. Orientamos evitar o sol na região por uns 45 a 60 dias.

A cirurgia em si não garante tratamento efetivo para “olheiras”. Estas devem ser abordadas através de cremes ou loções clareadoras.

 

Dr Edmilson Micali

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Alguns Aspectos Sobre a Trombose Venosa Profunda (TVP)

A TVP é uma complicação que pode ocorrer após qualquer ato cirúrgico. Ela consiste na coagulação do sangue nas veias. Quando ocorre nas veias pulmonares é chamada TEP (Tromboembolismo Pulmonar) e pode ser fatal!
 Pacientes com câncer, idade avançada, imobilização prolongada, cirurgias de longa duração, fraturas de grandes ossos, uso de anticoncepcionais, reposição hormonal, gestação, puerpério e infecções, têm maior tendência a desenvolverem TVP.
Além destes, também existem pessoas com predisposição genética à TVP. Destas, cerca de 1/3 pode ser identificada antes da cirurgia devido a eventos passados de TVP ou de casos na família. Essas pesquisas não são feitas rotineiramente em todas as candidatas a uma cirurgia plástica, pois são muito variadas estas condições genéticas, além do que os exames são de alto custo e muitas vezes complexos. Somente naquelas com histórias sugestivas é que se justifica uma pesquisa pré-operatória com o hematologista, que é o especialista em doenças do sistema de coagulação.
Frente a estas peculiaridades usamos de alguns recursos preventivos em cirurgias plásticas de grande duração. Estes consistem no uso de meia elástica apropriada, além de bota pneumática para massagear as pernas e  de medicamentos anticoagulantes. Para maiores esclarecimentos, sugiro o link abaixo: 
   

Dr Edmilson Micali
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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Prótese de Mamas - Forma e Posicionamento


Hoje em dia é a cirurgia plástica mais requisitada pelas pacientes, da mesma forma que a lipoaspiração.

A prótese mamária pode ter o formato redondo ou em ‘gota’. O formato em ‘gota’ está bem indicado para pacientes magras com pouca glândula mamária, pois seu formato dará um resultado mais natural do que a redonda daria.

As próteses podem ser colocadas somente abaixo das glândulas ou também abaixo dos músculos peitorais. Quando abaixo das glândulas, o peso das próteses ficará sob a responsabilidade de sustentação apenas da pele das mamas. Quando sob o músculo peitoral, este participa também da sustentação das próteses, sobrecarregando pouco a pele, a qual irá ceder menos com o passar do tempo.


Dr Edmilson Micali
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Lipoaspiração - Vai doer Muito?



Quando o Cirurgião Plástico realiza a lipoaspiração, há que se ter o cuidado para não bater a ponta das cânulas na musculatura, a qual se encontra logo abaixo da camada de gordura a ser aspirada, senão toda a região operada exibirá dores muito fortes.

Tendo esse cuidado, a dor no pós-operatório será semelhante àquela que ocorre em decorrência de um beliscão. Fica dolorido apenas quando se aperta o local. Para isso ser assim, o cirurgião deve movimentar a cânula de forma precisa e sem pressa, ou seja, com movimentos suaves e ritmados, porém lentos. Certamente, diferente do que muitas vezes podemos ver divulgados em alguns programas de TV que exploram o assunto sem critérios médicos, mas apenas de marketing.

Dr Edmilson Micali
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Levantamento das Mamas - Com ou Sem Próteses?




Muitas mulheres apresentam suas mamas mais para baixo do que gostariam. Para reposicioná-las, o cirurgião plástico realiza a mamoplastia. Esta cirurgia pode envolver ou não a colocação de próteses de silicone.

Se a paciente tiver pouca quantidade de glândula e muita pele, será necessário colocarmos próteses para aumentarmos o volume e também retirarmos o excesso de pele com cicatriz ao redor das aréolas ou, se o excesso de pele for grande, com cicatriz no formato de um ‘T’ invertido.

Se a paciente tiver bastante glândula e muita pele, o uso das próteses não será necessário, apenas a montagem da glândula já existente e a retirada do excesso de pele com a cicatriz em ‘T’. 

Dr Edmilson Micali
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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Cirurgia Plástica do Umbigo

O umbigo é uma cicatriz! Você sabia disso? Provavelmente sim! Ele é a cicatriz que restou da ligação entre nós e nossas mães através do cordão umbilical, quando estávamos sendo por elas gestados em seus úteros.


Durante nossas vidas o umbigo passa por algumas mudanças. Muitas crianças recém-nascidas podem apresentar hérnias umbilicais, as quais, em boa parte das vezes, somem espontaneamente. Em outras ocasiões, há a necessidade de cirurgia para corrigi-las.

Algumas pessoas podem desenvolver hérnias em seus umbigos já na fase adulta. Isso ocorre com freqüência nas mulheres que engravidam, e também nos homens que ficam ”barrigudos”, pois devido à distensão da parede abdominal há o favorecimento da ocorrência de hérnias.

Além das hérnias, o umbigo também se modifica conforme a criança cresce, passando de um umbigo “fechadinho” para um mais “aberto” ao final da adolescência. A presença de cicatrizes na região do umbigo também pode modificá-los.

Dentre todas estas alterações, na maioria das vezes, nós iremos lidar com o umbigo modificado pela gravidez. Isso porque após a constituição da prole é comum que as mulheres procurem a nós, cirurgiões plásticos, para corrigir o abdômen ou, melhor dizendo, a parede abdominal.

A plástica de abdômen, abdominoplastia ou dermolipectomia abdominal, tanto faz, é uma das mais realizadas pelas mulheres. A cirurgia irá colocar uma cicatriz no baixo-ventre, bem na dobra de pele inferior, a qual terá o formato arqueado e deverá ser coberta pela calcinha ou pelo biquíni. Também haverá outra cicatriz, a qual muitas vezes é pouco valorizada, que é a cicatriz em volta do umbigo. Caso ela seja muito destacada, ocorrerá um efeito visual negativo em relação ao resultado da plástica abdominal.

Isso pode até causar um grau elevado de insatisfação levando a mulher a não expor seu umbigo em público, o que seria o oposto do que se deseja da abdominoplastia! Muitas vezes, existem mulheres que exibem uma silhueta magnífica na praia, mas nunca as vemos de biquíni e sim de maiô. A cicatriz marcada ao redor do umbigo pode ser uma das explicações para este fenômeno!

Como falei no início, para evitarmos esse aspecto indesejável, temos que colocar a cicatriz na profundidade do umbigo! Simples assim, né ?!

Nem sempre, na verdade, pois quando temos que corrigir umbigos que estavam muito alterados por hérnias ou por várias gestações, muitas vezes é difícil restaurá-los com perfeição. Nestes casos, vai nos restar reconstruirmos eles totalmente, o que nem sempre confere um aspecto natural.

De qualquer forma, na maioria dos casos do dia a dia, o importante como eu já disse é esconder a cicatriz na profundidade do umbigo, para que as mulheres não se sintam constrangidas em poder exibi-los na praia ou na piscina!



Dr Edmilson Micali



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Lipoaspiração e Dor


    Uma das dúvidas e inseguranças mais freqüentes sobre a lipoaspiração é quanto à dor no pós-operatório. A maioria das pessoas nos traz relatos de alguma conhecida que se submeteu a esta cirurgia e viveu vários dias com dores horríveis, além das manchas roxas.
    Qual é, afinal, a realidade sobre este tema?
    Bem, vamos lá!
    Abaixo da nossa pele temos tecido gorduroso e, sob este, temos músculos, os quais são responsáveis pelos nossos movimentos.
    O tecido gorduroso tem pouca sensibilidade à dor. Já os músculos são muito sensíveis, sendo que qualquer trauma, tipo uma leve distensão, já é suficiente para causar muita dor a qualquer movimento da região afetada. Todo atleta conhece o sofrimento que causa uma distensão muscular!
    Podemos constatar esta diferença no nosso dia-a-dia! De que forma?
    Imagine que você seja vítima de um beliscão! Naquele momento você sente a dor da beliscada, mas depois a região não incomoda tanto, a menos que você a pressione.
    Agora, imagine que você bata com sua coxa na quina de uma mesa! Para quem é de São Paulo, sabemos que o acidente é chamado de “paulistinha na coxa”. Para os que jogam futebol, é uma realidade freqüente!
    Durante alguns dias a pessoa vai caminhar mancando, pois a cada contração da musculatura da coxa ao se andar, a dor irá se manifestar. Isso ocorre, pois neste tipo de acidente a lesão é mais profunda do que um beliscão, atingindo principalmente os músculos.
    Como que transferimos este raciocínio para a lipoaspiração?
    Bem, nesta cirurgia, o Cirurgião Plástico deve conduzir a cânula utilizada no procedimento somente no tecido gorduroso, sem bater na musculatura. Conseqüentemente, teremos um pós-operatório com pouca dor na maioria dos casos. Claro que também utilizaremos medicamentos analgésicos para isso.
    Porém, se este cuidado de não bater na musculatura não for seguido, de pouco adiantará o uso dos analgésicos.
    Podemos então generalizar que na maioria dos casos de lipoaspiração a dor é perfeitamente suportável e também contornada pelo uso de analgésicos comuns.
    Além disso, o cirurgião deve ter o cuidado de conduzir os movimentos da cânula de forma ritmada, porém sem a velocidade frenética que algumas vezes vemos acontecer em filmagens deste procedimento que são mostradas na TV, justamente para não lesar em demasia os músculos abaixo da camada gordurosa.
    Quanto às manchas roxas vale o mesmo raciocínio: em geral, quanto mais 'machucarmos' os músculos pelas batidas com a ponta das cânulas, mais manchas roxas irão aparecer!
    Pense nisso quando ouvir sua amiga falar que na lipo que ela fez a dor foi insuportável por muitos dias, além do que, ela ficou roxa como uma 'beringela' !
    Por hoje é isso!

    Dr Edmilson Micali 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Cirurgia Oncoplástica da Mama



A história moderna do tratamento do câncer de mama se iniciou no final do século 19, quando o cirurgião americano William Halsted introduziu o conceito da mastectomia radical para a retirada cirúrgica da mama com o tumor. Nesta operação também se retiravam todos os gânglios da região da axila, o que, com muita freqüência, ocasionava grandes e intratáveis inchaços no braço do lado operado.

Adentrando o século 20, muitas novas descobertas foram aprimorando o tratamento do câncer de mama. Retiradas mais econômicas da glândula mamária passaram a ser realizadas, como as mastectomias modificadas e as ‘quadrantectomias’ ( retirada de ¼ da mama). Esses procedimentos tornaram-se possíveis devido à introdução da quimioterapia e da radioterapia no tratamento do câncer.

Mesmo assim as deformidades causadas ainda eram importantes. Com os avanços dos métodos diagnósticos, assim como da radio e da quimioterapia, além da disseminação da importância do diagnóstico precoce da doença através das campanhas nas mídias, cada vez mais os tumores tem sido descobertos em estágios iniciais e as retiradas de glândula mamária menores.

Com isso tudo, de alguns anos para cá surgiu o conceito da cirurgia oncoplástica da mama, que vem a ser a retirada cirúrgica apenas do tumor com margens de tecido normal junto a ele para garantir que nada do tumor tenha ficado na região. Acoplado a isso, o cirurgião plástico estará participando junto com o mastologista para que os reparos sejam realizados prontamente às retiradas de parte da mama. Cirurgias plásticas menores e mais precisas usando tecidos da própria mama podem ser realizadas para se corrigir estas deformidades menores.

Mesmo assim, é importante que se diga que nem sempre é possível retirar-se apenas uma pequena porção da glândula. Às vezes, infelizmente, toda ela ainda tem que ser extraída. Isso irá depender do tamanho e do tipo do tumor. Portanto, o mais importante continua sendo o diagnóstico precoce para que a doença não cause grandes seqüelas anatômicas e nem psicológicas.



Dr Edmilson Micali



Alterações Mamárias Congênitas e do Desenvolvimento 2 - Síndrome de Poland

Hoje irei falar um pouco a respeito de uma situação rara dentro das alterações congênitas e do desenvolvimento da mama denominada Síndrome de Poland.


Nessa doença ocorre uma deformidade que afeta o tórax e os membros superiores. Os pacientes com estas deformidades apresentam atrofia ou ausência tanto do músculo peitoral de um dos lados do tórax como também da glândula mamária do mesmo lado. Muitos pacientes que tem esta anomalia também apresentam alterações no membro superior do mesmo lado.

No membro superior pode ocorrer desde a Sindactilia (dedos grudados) até outras múltiplas alterações mais severas como encurtamento do membro, alterações ósseas e articulares, etc. As alterações surgem com mais frequência no lado direito do corpo e tem maior incidência em pacientes do sexo masculino.

A doença foi descrita pela primeira vez em 1841 pelo cirurgião britânico Alfred Poland que identificou a associação de defeitos da parede torácica a defeitos na mão.

Segundo o National Human Genome Research Institute, a síndrome de Poland afeta três vezes mais indivíduos do sexo masculino e é identificada duas vezes mais no lado direito do corpo. A incidência é estimada entre um em 7.000 para um em 100.000 recém-nascidos.

A causa da síndrome de Poland é desconhecida..

O tratamento da sindactilia (dedos grudados) procura a melhoria estética e funcional da mão. Por sua vez, a reconstrução da parede torácica e da mama envolve o uso de próteses de silicone e expansores de pele e, em muitos casos, o uso de pele e músculo das costas (retalho de músculo grande dorsal). Podemos iniciar a reconstrução da mama pelos 15 – 16 anos de idade que é quando a outra mama já está numa fase de crescimento significativa.

Por hoje é isso!



Dr Edmilson Micali

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Toxina Botulínica – Rugas Faciais

A Toxina Botulínica tornou-se um procedimento do dia a dia do consultório do cirurgião plástico, desde a primeira metade da década de 1990.

Na cirurgia plástica, ela é utilizada para suavizar as rugas de expressão na lateral dos olhos (pés de galinha), na testa, ao redor da boca e no pescoço. Em outras especialidades, como neurologia, por exemplo, seu uso é voltado para diminuir contraturas musculares patológicas, salivação excessiva, excesso de sudorese e etc.

A duração do seu efeito varia de 3 a 6 meses, e quanto mais vezes as aplicações são feitas, mais tempo duram os resultados.

Na cirurgia para rejuvenescimento facial, o tratamento das rugas na região da testa aumenta o tempo operatório e o tamanho das áreas dissecadas durante a cirurgia. A aplicação da toxina botulínica, evita que a cirurgia seja tão extensa, devendo apenas ser renovada assim que os efeitos começarem a diminuir e as rugas de expressão voltarem a surgir.

A aplicação é pouco dolorosa, pois as agulhas utilizadas são muito finas. Para melhorar este aspecto, podemos inclusive utilizar anestésicos locais injetáveis ou na forma de cremes antes da aplicação.

Bem programada as aplicações, os efeitos são naturais e animadores, conferindo um aspecto de rejuvenescimento sem maiores contratempos como inchaços em excesso ou grandes hematomas. No mesmo dia da aplicação, é possível participar de eventos sociais ou de trabalho. Três dias depois os efeitos se instalam e os pacientes já irão colher os primeiros elogios, na forma de comentários, como por exemplo:

- Nossa! Você está com uma expressão de felicidade, parece mais jovem! O que foi que você fez?

Por hoje é isso!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Alterações Mamárias Congênitas e do Desenvolvimento 1 - Mamas Extranumerárias

      Quando nos reportamos ao tema “reconstrução mamária”, quase sempre pensamos em mulheres que são vítimas do câncer de mama e das possíveis mutilações a ele associadas. Porém, outros problemas podem afetar as mamas, fazendo com que as mulheres ou homens que são acometidos, necessitem de procedimentos de reconstrução desta região.
      Os “brotos” mamários surgem entre a 7ª e a 12ª semana de vida intra-uterina (desde a concepção). Como podemos ver na figura abaixo, as glândulas mamárias podem surgir em qualquer ponto das linhas que vão desde as axilas até a região da “virilha”. Isto serve tanto para os homens como para as mulheres.


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      Sabemos do nosso dia-a-dia que as mamas nos seres humanos surgem habitualmente na região da parede torácica anterior. Porém, podemos encontrar pacientes que desenvolvem glândulas fora desta posição habitual em algum local sobre o traçado destas linhas de desenvolvimento.
      Geralmente, são glândulas atrofiadas e que não atingem o formato nem o tamanho das mamas habituais. Os mamilos e aréolas são mínimos ou nem aparecem, na maioria dos casos. Além do incômodo estético que podem causar, em geral, nas mulheres ocorre dolorimento e inchaço destas glândulas extranumerárias no período menstrual.
      Não há evidência de aumento da incidência de câncer de mama nas pacientes que apresentam este distúrbio, porém, como nas mamas normais, pode ocorrer câncer neste tecido. O tratamento desta condição consiste na retirada desta glândula adicional.
      O pós-operatório é tranquilo.
      Em geral, volta-se ao trabalho após 7 a 10 dias!



Dr Edmilson Micali

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Que tal mudarmos o nome da Lipoaspiração para Adipócito-aspiração?

 

No jornal Folha de São Paulo de 06/05/2011 há uma matéria da jornalista Iara Biderman a respeito de uma pesquisa científica publicada no periódico “Obesity”.

Os autores da pesquisa mostram que, após um ano, a gordura retirada das coxas durante uma sessão de lipoaspiração volta a se acumular na parte superior do abdômen e dos braços.

Em 06/08/2010 escrevi neste meu Blog sobre o mesmo tema, porém com outro enfoque. Para relembrar, assinalei que a gordura sob a nossa pele está armazenada dentro de células especializadas chamadas adipócitos. Estas células têm uma grande capacidade de ter o seu tamanho aumentado em várias vezes, conforme a quantidade de gordura se acumula devido aos excessos alimentares e/ou sedentarismo.

Se algum local do contorno corporal de uma pessoa tem um desenho indesejado devido a um acúmulo de gordura regional, na verdade o que se tem a mais não é bem a gordura, mas sim os adipócitos que a acumulam. Se não houvesse esse número aumentado destas células, não haveria o aumento de volume da região. Para que as deformidades não ocorram, muita gente adota regimes espartanos de ginástica e alimentação.

Portanto quando dizemos que vamos fazer uma retirada cirúrgica de gordura através de aspiração, o que se convencionou chamar de lipoaspiração, estaremos fazendo a retirada de adipócitos, juntamente com a gordura que eles contêm, com o intuito de mudar a forma e o volume indesejado.

Até então, essa pessoa mantinha um peso dentro de um limite que não alterava tanto a região com tendência a se deformar, por exemplo, os culotes. Vamos então chamar a região com gordura sobrando de “termômetro inconsciente do peso”. Qualquer aumento de peso será detectado por um aumento de gordura nesta região quando a pessoa se olha no espelho. Após a lipo, a pessoa perde este parâmetro ao qual estava habituada a “ver” seu peso, ou seja, seu desenho ou silhueta.

O esforço que até então era feito para manter-se num peso onde o acúmulo de gordura não aparecesse tanto, após a cirurgia não será mais necessário.

Conseqüentemente, aquela feijoada ou pizza, por exemplo, que traziam tantas preocupações e culpas, não serão mais notadas no “termômetro inconsciente do peso”, pois ele não mais existe.

Sem perceber, a pessoa pode comer um pouco a mais e sem culpa, pois não ocorrerá mais o acúmulo localizado de gordura. Porém, comendo em maior quantidade, logicamente todo o corpo armazenará mais gordura e, conseqüentemente, o peso irá aumentar.

O rosto magro, o bumbum menos saliente e as mamas menores ou um pouco flácidas, aos poucos vão aumentar, pois não haverá mais o incômodo que a deformidade causava.

Portanto, o importante é entender que a nova silhueta não se deformará para o que era antes da lipo, caso a pessoa engorde. Teremos com isso causado a possibilidade de um “conforto para se alimentar”, pois as deformidades foram eliminadas pela lipo .

Podemos então até pensar em sugerir uma mudança no nome da cirurgia, pois isto poderia colocar o conceito que ela carrega em seu devido lugar!

É claro que isso não irá acontecer, pois além do termo lipoaspiração estar consagrado na cultura popular, ele é bem mais charmoso e compreensível do que adipócito-aspiração!

Por hoje é isso!

Dr Edmilson Micali

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Porque o jejum é importante antes da cirurgia?

 

Todo tipo de alimento, seja líquido ou sólido, estimula a produção de suco gástrico pelo estômago. Esse suco é constituído por vários tipos de substâncias químicas, as quais são corrosivas para outros tecidos do organismo. Isso ocorre mesmo quando bebemos água. Além disso, a saída de todo esse material do estômago demora algumas horas.

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Quando o paciente é anestesiado, a possibilidade de ocorrer refluxo de alimento de volta para a boca e para a garganta é maior, pois a pessoa estará sedada devido às medicações para dormir que são aplicadas pelo médico anestesista. Esta sedação diminui ou mesmo inibe os reflexos da tosse.

Por conta disso, esse material pode descer para os brônquios e para os pulmões, o que se configura numa ocorrência com potencial de gravidade alta, pois além do efeito corrosivo, esse material estará contendo inúmeras bactérias que poderão causar infecções graves como bronquites e pneumonias.

Habitualmente, sugerimos cerca de 8 horas de jejum para os procedimentos cirúrgicos nos quais os pacientes receberão sedativos. Isto garante que todo o material que estiver no estômago já tenha descido e sido absorvido pelo intestino.

Por tudo isso é importante seguir este aconselhamento ao pé da letra, inclusive no momento em que se escova os dentes antes de se ir para o hospital, pois aquele pequeno gole d’água que inconscientemente damos após enxaguar a boca, também pode vir a ser prejudicial!

Portanto, não nos esqueçamos: pelo menos 8 horas de jejum antes da cirurgia!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Cirurgia Plástica do Abdômen

 

Juntamente com a lipoaspiração e a colocação de próteses mamárias, a cirurgia plástica da parede abdominal está entre as mais procuradas pelas pacientes. Geralmente, as que nos procuram, são as que já tiveram seus filhos e que pretendem voltar à forma física anterior a gravidez.

Bem, durante o período da gestação, o aumento do tamanho do feto vai distendendo o útero da mulher e, conseqüentemente, também esticará sua pele, gordura e musculatura da parede abdominal. A grande distensão da pele e da gordura causará sobras de pele, flacidez e estrias, principalmente até a altura do umbigo. Algumas mulheres podem apresentar as estrias por todo o abdômen, tanto na frente quanto nas laterais como, às vezes, até nas costas.

Além destas alterações da pele e da gordura, a distensão da musculatura abdominal irá causar o alargamento da cintura e a projeção da barriga para frente. Devemos considerar que algumas mulheres apresentam estas alterações mesmo sem terem ficado grávidas. Isso ocorre com freqüência nas pacientes que se submeteram à cirurgia bariátrica para emagrecimento e que perderam muitos quilos.

Para corrigir estas mudanças induzidas pela gravidez ou pela perda acentuada de peso, a abdominoplastia, também chamada de dermo-lipectomia abdominal ou simplesmente plástica abdominal, será o procedimento adequado.

Será retirado o excesso de pele e gordura através de uma incisão colocada na parte inferior do abdômen, bem onde a pele se dobra ao sentarmos. Quanto maior a quantidade de pele, maior a cicatriz. Nos casos mais avançados, o umbigo terá que ser reconstruído. Procuramos, hoje em dia, posicionar a cicatriz do umbigo reconstruído em sua profundidade, para que ela não seja visível ou, pelo menos, para que não chame à atenção no pós-operatório tardio. Isso permite que a mulher use um biquíni sem ser notado que tenha se submetido ao procedimento cirúrgico.

Nos casos em que a paciente não tem tanta pele para ser retirada, podemos realizar a mini-abdominoplastia, quando o umbigo não precisa ser reconstruído.

Atualmente, em quase todos os casos, associamos a lipoaspiração na frente, nas laterais e nas regiões lombares, perfazendo a lipo-abdominolastia.

É importante a prevenção da trombose venosa profunda nas veias das pernas, pois sua incidência está aumentada neste procedimento. Isso é feito com o uso de meia elástica apropriada e com aparelhos compressores da musculatura das panturrilhas durante a cirurgia. Se a paciente se utilizar de anticoncepcionais, pedimos para cessar o uso, pelo menos com 2 semanas de antecedência. Se houver o hábito do cigarro, orientamos que se pare de fumar por, no mínimo, 1 mês antes da cirurgia. Em alguns casos há a necessidade do uso de anticoagulantes por alguns dias.

A cirurgia tem um pós-operatório pouco doloroso. Para pacientes que trabalham em ocupações que exigem pouco esforço físico, 3 semanas costumam ser suficientes para retornar ao trabalho. Orientamos o uso de cintas elásticas compressivas por 2 meses e drenagem linfática para diminuir os inchaços no primeiro mês de pós-operatório. No decorrer dos futuros artigos estarei discutindo diversos outros aspectos desta cirurgia. Por hoje é isso!

Dr Edmilson Micali

sábado, 27 de novembro de 2010

O Limite Sutil entre a Alteração Estética e a Perda do Bom Senso – Transtorno Dismórfico Corporal

 

Em mais uma tarde de atendimento em meu consultório, recebi a jovem e bela paciente com 19 anos, acompanhada do namorado, estudante de computação, também novo e “bem apessoado”, ambos simpáticos e educados. Ela, aluna de medicina, fora para mim encaminhada por um amigo meu, professor de ginecologia da escola médica em que ela estava estudando.

Ao iniciarmos nossa entrevista, notei que ela se tornou um pouco tensa, passando a “desfiar um rosário” de reclamações sobre a aparência das suas mamas. Segundo seu relato, “eram caídas, moles e com os mamilos tortos e grandes”, apesar de nunca ter dado à luz. Além do que, queixava-se que elas não lhe preenchiam o “colo”, coisa que conseguia apenas com o uso de soutien com “bojo”, etc, etc e etc...

Como ela estava de camiseta justa, ao ouvi-la, passei os olhos pela sua silhueta, mas não consegui nenhuma pista. O namorado ao seu lado, impassível o tempo todo, apenas a observava. Ela, por sua vez, prosseguia em seu discurso, um tanto quanto angustiada.

Diante da futura colega de profissão, para mim, a riqueza e precisão dos detalhes na descrição das suas “frustrações anatômicas” faziam parte dos jargões e frases às quais estamos habituados no meio médico e, com atenção, fui fazendo as anotações no seu prontuário

Quando achei que era o momento, pedi a ela que se encaminhasse à sala de exame e tirasse a parte de cima de sua roupa. À sua chamada fui vê-la e, imediatamente, surpreendido pelo inesperado. Suas mamas eram perfeitas!!!! Em todos os aspectos! Não dava para criticarmos nada: formato, tamanho, mamilos, aréolas e posição no tórax. As proporções em ralação ao seu peso e altura eram um modelo de perfeição. Tudo estava de acordo com o que a cirurgia plástica e a moda atual ditam em relação à estética mamária.

Tomei o cuidado para não demonstrar minha surpresa, pois pressenti que eu estava diante de um caso não tão comum na nossa rotina, mas não tão incomum que quase nunca pudesse aparecer. O mais inusitado da história é que era uma médica! Estudante ainda, mas já praticante da medicina no hospital escola da sua faculdade.

Pois bem! Qualquer falta de tato da minha parte poderia interferir na relação médico-paciente e dificultar ainda mais a abordagem nesse tipo de situação, pois a jovem poderia sentir-se desrespeitada em seu sofrimento, mesmo que aos olhos da maioria ele não devesse existir.

Foi quando me dei conta que a resignação do namorado vinha de um sentimento de “batalha inútil”, que ele já deveria vir travando há muito tempo, para tentar convencê-la de que as mamas eram perfeitas.

Passei então a mostrar a ela desenhos da anatomia mamária na tela do computador, além de fotos de modelos e fotos de pacientes minhas já operadas. Fui lhe relatando os parâmetros que nós, cirurgiões plásticos, utilizamos para entender o que é belo e adequado do ponto de vista estético. Percebi que ela estava de pleno acordo, mas quando voltávamos ao seu caso, novamente a auto-imagem não lhe agradava.

Tentei mais duas ou três vezes convencê-la que uma suposta melhora com a cirurgia apenas acarretaria em cicatrizes, sem levar a nenhum ganho real, visto que nada havia para se modificar. Tudo em vão! A cada nova argumentação, notava um semblante de esperança em seu namorado, mas que logo se dissipava quando eu voltava objetivamente ao caso dela.

Não vislumbrando mais nada que a pudesse demover da idéia fixa, achei por bem ir direto ao assunto e lhe disse: “Acredito que você esteja apresentando o que chamamos de transtorno dismórfico corporal”. “Sugiro que você procure um psiquiatra para uma boa avaliação e possível tratamento, o qual, provavelmente, será conduzido com sessões de psicoterapia!” Com firmeza, posicionei-me! Indiquei para ela um amigo psiquiatra e lhe sugeri que se empenhasse nisso antes de voltar a mim ou de ir a algum outro cirurgião.

Seu namorado, instintivamente, deu um suspiro de alívio! Ela, por sua vez, finalmente cedeu a esta minha última argumentação e à espontaneidade do parceiro. Confessou-me que, de fato, sempre fora exigente demais com sua aparência. Relatou-me que diariamente freqüentava academia de ginástica e que não passava uma semana sequer sem comparecer a uma clínica de estética!

O casal então se levantou e nos despedimos com a sensação que estávamos fazendo o melhor. Uma pontinha de dúvida em sua expressão ainda lhe escapava ao olhar! Mas, creio que sua formação médica ajudou-a a tocar adiante.

Não tive mais notícias dela. Talvez tenha seguido meus conselhos, talvez não! De qualquer forma, dormi com minha consciência tranqüila!

Dessa vez as coisas foram bem durante toda a consulta, mas nem sempre é assim. Por vezes, quando apontamos o problema psicológico, somos obrigados a ouvir desaforos ou somos tratados com desdém.

Pacientes assim acabam “pulando” de consultório em consultório e terminam vítimas de um problema psicológico que não foi bem encaminhado. Às vezes se submetem a diversas cirurgias e, por fim, adquirem verdadeiras deformidades. Aí sim, incorrigíveis!

Exemplos assim de pessoas famosas não nos faltam: Michael Jackson deve ser o mais conhecido!

Michael Jackson 2

Mickey Rourke também nos é familiar.

Mickey Rourke 2  Mickey Rourke

Hoje na Folha de São Paulo, esse tema foi muito bem abordado pela jornalista Juliana Vines, que nos apresentou inclusive a foto da “socialite” americana Jocelyn Wildenstein, a “mulher gato” (fotos abaixo). Claro que não por ser personagem do filme do Batman, mas sim pela aparência a que chegou devido a inúmeros procedimentos cirúrgicos e cosmiátricos.

Nsses casos mais “escrachados” identificamos facilmente o transtorno dismórfico. São pacientes bem raras! Por outro lado, os casos menos acentuados, como esta paciente que mencionei, são mais comuns, porém sutis e, às vezes, por uma crença de que possamos ser mais exímios do que a natureza já bem desenhou, acabamos por operá-las! Quanto arrependimento nessas horas! Quando isso ocorre temos pela frente um problema cuja tendência é o crescimento e a frustração de ambas as partes. Uma verdadeira “bola de neve”! Esse tipo de paciente, com problema mais psicológico do que estético, nunca estará satisfeita!

Concluimos então que nada melhor que o tempo e a experiência que ele nos trás! Nos casos em que percebemos esse distúrbio e contra-indicamos uma cirurgia, não só estaremos fazendo uma boa medicina como também protegendo nosso nome no mercado de trabalho!

E, caso vocês queiram dar uma olhada na matéria da Folha, aí vai o link! Por hoje é isso!

Dr Edmilson Micali

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2611201001.htm487 mulher gato

Jocelyn Wildenstein, a “mulher gato”

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Retirada Parcial da Mama Devido a Tumor em Fase Inicial

 

Muitas das mulheres que desenvolvem câncer de mama são diagnosticadas num momento inicial da doença. A intenção, aliás, é que as pacientes com esta patologia comecem o tratamento nesta fase: quando o tumor está pequeno, pois as seqüelas causadas pela sua retirada serão menores. Além do quê, as possibilidades de cura são mais garantidas.

A retirada do tumor mamário neste estágio pode ser chamada de setorectomia ou quadrantectomia. Retira-se, em média, em torno de 1/6 a ¼ da glândula mamária.

As pacientes submetidas a esta cirurgia precisarão complementar o tratamento com radioterapia e quimioterapia. A primeira sempre!

Semelhante ao que ocorre quando se remove toda a mama (mastectomia), a maioria das pacientes têm as famosas dúvidas: “a reconstrução imediata irá prejudicar o restante do tratamento? As outras fases do tratamento irão comprometer os resultados alcançados pela reconstrução imediata?”

Volto a insistir: a reconstrução imediata da mama não interfere no restante do tratamento para o câncer! Mesmo que se necessite de radioterapia e quimioterapia, a reconstrução, no momento da retirada do tumor, não mudará o resultado do tratamento contra o câncer.

Por sua vez, a radioterapia poderá causar alguma mudança na aparência da reconstrução! Você poderá me perguntar: “como assim?“

Irei lhe explicar com calma! A radioterapia consiste na aplicação de um tipo de radiação no local onde estava a lesão, com o intuito de “queimar” eventuais células tumorais que estejam na região mamária e que passaram incólumes à retirada parcial da glândula. Esta irradiação poderá causar modificação temporária ou perene da coloração da pele, alteração da consistência da mama (um pouco de endurecimento), contraturas de cápsula quando usamos próteses de silicone, contraturas cicatriciais, etc...

A maioria destas alterações normaliza depois de poucos meses após o término da radioterapia. A mama endurecida volta à maciez habitual, assim como a coloração. Às vezes, alguns pontos rígidos podem persistir, ou uma prótese colocada tem que ser reposicionada devido a alguma mudança de posição.

Porém, nenhum desses problemas se compara às dificuldades que encontramos na reconstrução tardia! Todo o processo de cicatrização que ocorre irá impedir que possamos reproduzir as condições dos tecidos da região como eram no mesmo dia em que a quadrantectomia foi realizada, ou seja, os tecidos estarão retraídos e desviados por conta da cicatrização! Por mais que retirarmos e soltarmos estas aderências, nunca será a mesma coisa quando do momento da extirpação tumoral! Dificilmente conseguiremos dar o mesmo resultado que poderíamos ter dado no dia da retirada do tumor.

Portanto, sempre que possível, tanto na mastectomia quanto na quadrantectomia, os resultados da reconstrução serão melhores se procedermos a ela de imediato!

Até a próxima!

Dr Edmilson Micali